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A Alegria de Viver Cada Dia

A Alegria de Viver Cada Dia, é encontrar uma forma de lidar com as adversidades. Escrevo pela alegria em escrever sobre a realidade do quotidiano, na esperança de encontrar uma solução que nos permita esboçar um sorriso.

A Alegria de Viver Cada Dia, é encontrar uma forma de lidar com as adversidades. Escrevo pela alegria em escrever sobre a realidade do quotidiano, na esperança de encontrar uma solução que nos permita esboçar um sorriso.

A Alegria de Viver Cada Dia

14
Jun22

O resto da vida

Sol

O meu pai uma vez disse-me que, para avaliarmos se estamos realizados numa empresa, temos de concretizar pelo menos dois destes três pontos: fazer o que gostamos; ter uma boa relação com a equipa; e considerar a nossa remuneração satisfatória/adequada.  A estes pontos considero pertinente acrescentar a questão da duração do contrato, já vou explicar o porquê.

No meu caso, depois de terminar a licenciatura, de enviar muitas candidaturas e não ter experiência suficiente para desenvolver o cargo (a ironia que muitos de nós conhece), e de ter estado 4 anos a trabalhar em bar e mesas– que não é a minha área de estudos, mas para a única para a qual parecia não haver necessidade de experiência de 50 anos -, consegui um emprego na minha área… Estávamos em inicio da pandemia e, por isso, senti uma tal nuvem de maré de sorte, que decidi tirar uma pós-graduação. Peguei nos pontos que o meu pai me incutiu e, sinceramente, sentia-me realizada: estava a fazer aquilo para o qual tinha estudado (e que adoro), tinha uma ótima relação com a equipa e a remuneração até não era a adequada, mas para uma rapariga que há 4 anos procurava meter o pezinho dentro da sua área, estava ótimo perfeito maravilhoso. Chegamos ao 4º ponto (o que decidi acrescentar acima), ressalvando que tenho de dar o desconto ao meu pai por não o ter incluído – até porque na época em que ele integrou o mercado de trabalho, não era uma questão que se coloque como problemática. Ora bem, estava num contrato de substituição, até quando ?! ninguém sabia muito bem, começou por ter uma previsão de 5 meses, que passou a 8, que passou a 10 e, finalmente, a 18 meses. Não desfazendo, 18 meses não é nada mau para colocar no CV como primeira experiência na área, mas só eu sei a ansiedade que sentia dia após dia, mês após mês, ao sentir que poderia ser o último.

Chegamos a junho de 2021, o meu companheiro, que estava desempregado desde o inicio da pandemia porque é cozinheiro (e toda a gente sabe os apoios maravilhosos que foram criados), tem uma oferta para trabalhar no Algarve…. Sentámo-nos à mesa e avaliamos os prós e contras (fazemos sempre isto quando temos uma decisão importante a tomar), e no final das contas, eu, eventualmente, ia ser dispensada, então VAMOS COM TUDO. Ele fez uma pequena mala, pôs-se no carro e veio para o Algarve. Entre viagens, passam-se 3 meses e eu sou informada que o meu contrato ia terminar. Nem sei bem como me sentia, por um lado, triste porque foi uma experiência fantástica, por outro, estava entusiasmada por iniciar um novo ciclo noutro local. Foram feitas as malas, vendidos os móveis, uma busca imensa por uma casa para arrendar, burocracias até dizer chega, e muiiiitas viagens para cima e para baixo (porque ninguém aguenta o que as empresas de transportes levam por transportar móveis a uma distância de 300 km), e finalmente, aqui estávamos nós! Umas quantas entrevistas de emprego e, ao final de 1 mês e meio, tenho uma proposta: na minha área, com uma equipa aparentemente porreira e um bom salário (melhorzinho que o anterior), mas surprise surprise, era um contrato de substituição. Desta vez, não sentia angustia por não saber quantos meses iria durar o meu contrato porque, uma vez que se tratava de uma licença de maternidade, eu sabia mais ou menos quando iria terminar, mas não foi por isso que a ansiedade desapareceu porque havia dias que só pensava: quando é que terei um emprego “meu”?

Terminei o contrato ontem, hoje tratei do subsidio de desemprego, amanhã vou celebrar o aniversário do meu pai a Lisboa e, depois, uma nova onda de ansiedade se instalará. Neste caminho, foco-me nas pessoas que conheci, algumas que seguem comigo e outras que permanecem nestas experiências profissionais. Foco-me no sentimento de quando me ligam a dizer que fui selecionada, é uma onda de calor tão boa que não sabemos se choramos ou se rimos. Foco-me nas coisas que vou conquistando, no que vou aprendendo, e na esperança que trago sempre comigo que um dia vou ter o “meu” emprego. Afinal de contas, tenho toda a vida à minha frente – quando tiver o emprego que goste, terei dias ótimos e dias que só sairei da cama por arrasto; quando tiver um filho, será meu o resto da vida; quando tiver uma casa, ou um carro, usufruirei dela o melhor que sei.

Tenho o resto da vida e, no caminho, aproveito cada momento.

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