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A Alegria de Viver Cada Dia

A Alegria de Viver Cada Dia, é encontrar uma forma de lidar com as adversidades. Escrevo pela alegria em escrever sobre a realidade do quotidiano, na esperança de encontrar uma solução que nos permita esboçar um sorriso.

A Alegria de Viver Cada Dia, é encontrar uma forma de lidar com as adversidades. Escrevo pela alegria em escrever sobre a realidade do quotidiano, na esperança de encontrar uma solução que nos permita esboçar um sorriso.

A Alegria de Viver Cada Dia

29
Jun22

Amizades

Sol

Parece que hoje em dia se dá uma importância ridícula à imagem das outras pessoas. Nas redes sociais vemos pessoas lindas e maravilhosas, em momentos fantabolásticos, a treinar de maquilhagem e a filmar as suas almoçaradas em família. Atenção, cada um publica e partilha o que quer, mas fico preocupada com a quantidade de meninas e meninos mais novos que, provavelmente, se deixam influenciar, que crescem a sentir-se inferiores a alguém que nem conhecem.

Não sou o auge da autoestima, longe disso, mas já me apercebi que tenho uma forte tendência a aproximar-me de pessoas que não ligam minimamente às aparências dos outros. Que as “cusquisses” com as minhas amigas nunca envolvem falar mal do cabelo de uma ou dos quilos a mais de outra. Podemos comentar atitudes que não compreendemos, escolhas que não faríamos, mas não menosprezamos ninguém, mesmo sabendo que não nos podem ouvir. Seguimos uma ou outra influencer, pelo conteúdo que apresenta ser interessante, engraçado, ou acrescentar algum tipo de conhecimento, e a partir daí discutimos as nossas ideias e escolhas. E ainda bem. Acho que toda a gente gosta de se sentir bonita, de vestir algo mais apresentável num determinado dia, ou pôr maquilhagem, seja o que for. Mas que seja sempre por nós e nunca pelo medo do julgamento dos outros.

Vim só partilhar que tenho um circuito de amigas muito pequenino, mas que não nos entretemos a falar mal dos outros ahahah Talvez por isso sejam pessoas que amo e considero como minha família.

23
Jun22

Custo de Vida

Sol

Sei que não sou a única a sentir que, cada vez mais, quando ponho o pé fora de casa já estou a gastar dinheiro. Deparamo-nos com o preço dos combustíveis a aumentar, com o preço dos géneros alimentares que aumenta, assim como aumenta o valor das casas, dos carros, dos transportes públicos, etc etc. 

Os estrangeiros a morar em Portugal, por outro lado, acham as casas "baratíssimas" e o estilo de vida "espetacular". Fico tão feliz por eles, sinceramente! Devem sentir que Portugal é aquele objetivo que todos nós desejamos alcançar, onde conseguem gozar a sua reforma em segurança, paz, com qualidade de vida e, claro, muito sol. Alegra-me ver a genuinidade com que conseguem ser felizes com coisas simples, nomeadamente, todos queimados do sol - portanto, lagostas -, e a tirar fotografias à pedra da calçada. Diga-se de passagem que eu sou uma tresloucada, adoro ouvir musica alta no carro e volta meia volta dou por mim a sorrir no supermercado... Dizem que atraímos coisas boas se tivermos pensamentos positivos, não sei se a vida funciona exatamente assim, mas enquanto acredito e desconfio, pelo menos estou alegre.

Entretanto, continuo desempregada, mas já tenho o subsídio de desemprego deferido, yeahhh. Magiquei todo um plano anti-tristeza, que envolvia ir 3h por dia à praia, que é aquele plano gratuito e com a grande vantagem de ganhar uma corzinha que depois poderei gabar quando voltar a trabalhar. Ainda assim, para minha tristeza, tem estado imenso vento... Ora, eu já não vou à água porque devo ter algum trauma e acho sempre que vou ter um ataque de hipotermia(isto é muito verdade, acho que 99% das pessoas que me conhece nunca me viu dentro de água), e estar na toalha a comer areia, não obrigada. Tenho a casa limpinha e organizada, e voltei a treinar para me sentir mais ativa, tirando isso tenho ido às compras quando necessário e inventado mais umas coisitas para fazer. 

14
Jun22

O resto da vida

Sol

O meu pai uma vez disse-me que, para avaliarmos se estamos realizados numa empresa, temos de concretizar pelo menos dois destes três pontos: fazer o que gostamos; ter uma boa relação com a equipa; e considerar a nossa remuneração satisfatória/adequada.  A estes pontos considero pertinente acrescentar a questão da duração do contrato, já vou explicar o porquê.

No meu caso, depois de terminar a licenciatura, de enviar muitas candidaturas e não ter experiência suficiente para desenvolver o cargo (a ironia que muitos de nós conhece), e de ter estado 4 anos a trabalhar em bar e mesas– que não é a minha área de estudos, mas para a única para a qual parecia não haver necessidade de experiência de 50 anos -, consegui um emprego na minha área… Estávamos em inicio da pandemia e, por isso, senti uma tal nuvem de maré de sorte, que decidi tirar uma pós-graduação. Peguei nos pontos que o meu pai me incutiu e, sinceramente, sentia-me realizada: estava a fazer aquilo para o qual tinha estudado (e que adoro), tinha uma ótima relação com a equipa e a remuneração até não era a adequada, mas para uma rapariga que há 4 anos procurava meter o pezinho dentro da sua área, estava ótimo perfeito maravilhoso. Chegamos ao 4º ponto (o que decidi acrescentar acima), ressalvando que tenho de dar o desconto ao meu pai por não o ter incluído – até porque na época em que ele integrou o mercado de trabalho, não era uma questão que se coloque como problemática. Ora bem, estava num contrato de substituição, até quando ?! ninguém sabia muito bem, começou por ter uma previsão de 5 meses, que passou a 8, que passou a 10 e, finalmente, a 18 meses. Não desfazendo, 18 meses não é nada mau para colocar no CV como primeira experiência na área, mas só eu sei a ansiedade que sentia dia após dia, mês após mês, ao sentir que poderia ser o último.

Chegamos a junho de 2021, o meu companheiro, que estava desempregado desde o inicio da pandemia porque é cozinheiro (e toda a gente sabe os apoios maravilhosos que foram criados), tem uma oferta para trabalhar no Algarve…. Sentámo-nos à mesa e avaliamos os prós e contras (fazemos sempre isto quando temos uma decisão importante a tomar), e no final das contas, eu, eventualmente, ia ser dispensada, então VAMOS COM TUDO. Ele fez uma pequena mala, pôs-se no carro e veio para o Algarve. Entre viagens, passam-se 3 meses e eu sou informada que o meu contrato ia terminar. Nem sei bem como me sentia, por um lado, triste porque foi uma experiência fantástica, por outro, estava entusiasmada por iniciar um novo ciclo noutro local. Foram feitas as malas, vendidos os móveis, uma busca imensa por uma casa para arrendar, burocracias até dizer chega, e muiiiitas viagens para cima e para baixo (porque ninguém aguenta o que as empresas de transportes levam por transportar móveis a uma distância de 300 km), e finalmente, aqui estávamos nós! Umas quantas entrevistas de emprego e, ao final de 1 mês e meio, tenho uma proposta: na minha área, com uma equipa aparentemente porreira e um bom salário (melhorzinho que o anterior), mas surprise surprise, era um contrato de substituição. Desta vez, não sentia angustia por não saber quantos meses iria durar o meu contrato porque, uma vez que se tratava de uma licença de maternidade, eu sabia mais ou menos quando iria terminar, mas não foi por isso que a ansiedade desapareceu porque havia dias que só pensava: quando é que terei um emprego “meu”?

Terminei o contrato ontem, hoje tratei do subsidio de desemprego, amanhã vou celebrar o aniversário do meu pai a Lisboa e, depois, uma nova onda de ansiedade se instalará. Neste caminho, foco-me nas pessoas que conheci, algumas que seguem comigo e outras que permanecem nestas experiências profissionais. Foco-me no sentimento de quando me ligam a dizer que fui selecionada, é uma onda de calor tão boa que não sabemos se choramos ou se rimos. Foco-me nas coisas que vou conquistando, no que vou aprendendo, e na esperança que trago sempre comigo que um dia vou ter o “meu” emprego. Afinal de contas, tenho toda a vida à minha frente – quando tiver o emprego que goste, terei dias ótimos e dias que só sairei da cama por arrasto; quando tiver um filho, será meu o resto da vida; quando tiver uma casa, ou um carro, usufruirei dela o melhor que sei.

Tenho o resto da vida e, no caminho, aproveito cada momento.

08
Jun22

Tachos e Panelas

Sol

Primeiramente, devo esclarecer que adoro partilhar uma boa refeição - seja num restaurante ou em casa - com a minha família, a minha cara-metade ou os meus amigos. Umas entradas, um prato principal caloroso e um bom vinho, sem esquecer de um docinho e um café para terminar em grande! 

Mas sinceramente, cozinhar?? Ai que tortura! Eu até me safo e, pelo menos até à data, continuo a receber pessoas em casa que se predispõem a comer, mas todas elas sabem que o faço por amizade e não por adorar passar 3 horas em frente ao fogão (quem diz 3 horas, diz 20 minutos). Todo o processo de: decidir o que preparar para o almoço/jantar (sim porque há restaurantes que têm uma carta de 10 páginas e eu não consigo decidir 1 prato que me apeteça fazer), consultar a amiga internet para saber como as pessoas com paciência preparam o dito petisco, ir até um supermercado que não me cause ânsias, voltar para casa e começar as preparações... Fico cansada só de pensar!

Felizmente o Universo decidiu cruzar o meu destino com o meu dito-cujo que, por sua vez, é cozinheiro de profissão. Ou terá sido o meu subconsciente? Confesso que o conheci no local de trabalho e, por isso, antes de saber o seu nome já sabia que tinha dotes culinários.... De qualquer forma, estou satisfeita! E felizmente, apesar de ainda não ter percebido o local ideal para deixar a toalha molhada, tenta facilitar-me este processo culinário que atormenta o meu ser. Mas, volta meia volta, lá me calha a mim, e se vocês vissem o meu ar de sofrimento a cozinhar, percebiam bem o que quero transmitir.

Ainda assim, fico super orgulhosa de mim quando sai qualquer coisita de jeito, e quando me questionam, "mas foste mesmo tu que fizeste?" - muitas vezes é inacreditável, de facto, mas a pessoa vai aprendendo uns truques. Já agora, e para não dizerem que eu não dou dicas úteis, deixo algumas ideias para as vossas refeições: carne à bolonhesa, frango estufado, salada de polvo, lulas grelhadas, bacalhau à brás e wrap de atum. Pronto, ficam as ideias para quando aí em casa não souberem o que fazer.

03
Jun22

A ambiguidade de ter carro próprio

Sol

O sonho de qualquer jovem… Pode dizer-se que é um dos sentimentos mais ambíguos do ser humano, ora então: até aos 18 anos saltamos entre boleias e transportes públicos, enquanto tentamos entender que escola de condução apresenta o preço mais decente que sirva como incentivo à poupança; inscrição feita, passeamos um livro de código enquanto questionamos o porquê dos carros terem 3 pedais se apenas temos 2 pés e aparentamos ser uma manteiga ao sol ao entrar numa rotunda – verdade seja dita que suamos mais na aula de condução que numa aula de crossfit –; finalmente, uns mais rapidamente que outros, mostramos orgulhosamente a nossa licença, que eventualmente se torna uma carta igual às dos nossos pais. Uns tempos depois, temos o nosso carro, apelidado pelos mais velhos de “primeiro carro” e que nós, jovens iludidos, consideramos que poderá muito bem ser o último, isto porque até então ninguém nos tinha avisado do que os próximos tempos adivinhavam.

No meu caso, o meu primeiro (e atual) carro, foi comprado 5 anos depois de ter a carta. Já tinha passeado em alto estilo no carro do meu irmão e do meu pai, com musica alta e a achar-me a superestrela dos carros. Achava um piadão operações stop, provavelmente porque tinha a certeza que estava tudo em ordem e eu aparentava ser uma grande condutora. Agora sim, estava satisfeita, podia sustentar o meu carrinho porque já estava a trabalhar, mudei os pneus, fiz uma revisão, paguei o seguro de um ano…. Que sensação fantástica! Dica: aproveitem esta sensação porque ela acaba depressa. Quando dás por ti, andas metade do ano a ignorar os barulhos e luzes do painel e a outra metade a saltar entre boleias e transportes públicos (sim, tal e qual como fazias quando ainda nem sequer tinhas carta de condução) porque tens o carro no mecânico. Isto sem falar no IUC e no seguro, que cada ano nos relembra de que ter um carro é um luxo que a nossa carteira dificilmente aguenta, e no preço dos combustíveis.

Nos últimos 6 meses já fiz 3 visitas à oficina da zona, a piada depois de pagar é sempre a mesma “espero não vos ver em breve” - parece que a saudade é um sentimento que não me toca no que concerne à minha ligação com os mecânicos –, aparentemente são os meus novos melhores amigos. O meu ficou internado numa 5ª feira, coloquei os meus fones nos ouvidos e caminhei alegremente até à estação de comboios (porque de vez em quando nos esquecemos do que realmente é andar de transportes públicos), o meu sorriso desvaneceu quando tentei pagar um bilhete em multibanco e me disseram que só aceitavam dinheiro - Como assim, ainda se pagam coisas em dinheiro?!. A decisão ficou tomada, a partir deste momento, e até ter o meu carro de volta, iria deslocar-me de autocarro, adorei estremecer cada vez que o motorista trava em cima de um carro, e vibrava ao ouvir alguém mascar pastilha de boca aberta…. Vão-me dizer que não adoram andar de transportes públicos??

Toca o telefone, o carro está pronto, mas para o levantar tenho de o pagar… Que giro! Uma última boleia até à oficina e um rim que deixamos em cima do balcão, quando será a próxima visita?

Importante lembrar que, no fundo, e por muito que custe admitir, a nossa sofrência com os carros é de livre-arbítrio porque existem outras soluções, não tão práticas e agradáveis, mas existem. Para manter a boa disposição, lembrem-se que se tiver com alguém no carro que masque a pastilha elástica de boca aberta, podemos expulsá-lo/a, isto se tiver na faixa etária entre os 12 e os 65 anos, porque fora isso convém aguentar à bomboca.

03
Jun22

A Alegria de Viver Cada Dia

Sol

A Alegria de Viver Cada Dia, 

é encontrar uma forma de lidar com as adversidades desta vida.

Tenho 28 anos, sou uma jovem adulta nascida e criada na zona de Lisboa, a viver no Algarve há cerca de 8 meses. Como os demais, passei pela frustração de ter uma licenciatura e trabalhar em restauração, pelas discussões familiares, pelo término de um namoro, pela vontade de viajar e passear, sem a capacidade económica para tal, pela perda de amizades antigas. Sou profissional em chorar em acontecimentos pouco gravosos, e aguentar o barco quando as marés começam a estremecer. Considero-me comunicativa e alegre, isto é, quando estou bem disposta claro... Mas não se pode ser perfeita! E até tenho alguns amigos, por isso não deve ser assim tão mau.... Ainda para mais sou uma péssima cozinheira por isso vir a minha casa é ter a certeza que das duas uma, ou vão cozinhar ou é importante que a aplicação UberEats esteja atualizada. Aprendi que os dias maus terminam, que a vida não é uma aventura diária, e que tomar o pequeno almoço fora pode mudar a disposição de um ser humano.

Escrevo pela alegria em escrever sobre a realidade do quotidiano, sobre as situações pelas quais, de uma forma ou outra, todos passamos. Escrevo porque talvez esta seja uma forma de relembrar (a quem leia, ou a mim própria) que geralmente acabamos por perceber que não vale a pena nos focarmos no negativo, mas sim em encontrar uma solução - mesmo que não seja a solução permanente, que seja uma solução que nos permita esboçar um sorriso.

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