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A Alegria de Viver Cada Dia

A Alegria de Viver Cada Dia, é encontrar uma forma de lidar com as adversidades. Escrevo pela alegria em escrever sobre a realidade do quotidiano, na esperança de encontrar uma solução que nos permita esboçar um sorriso.

A Alegria de Viver Cada Dia, é encontrar uma forma de lidar com as adversidades. Escrevo pela alegria em escrever sobre a realidade do quotidiano, na esperança de encontrar uma solução que nos permita esboçar um sorriso.

A Alegria de Viver Cada Dia

02
Ago22

Saídas à noite

Sol

Ontem estava deitada na cama e ouvia a "malta" na rua a falar. A falar.... a gritar! É engraçado analisar como as pessoas alteram pequenas coisas como o tom de voz, dependendo daquilo que estão a sentir, da forma como se sentem em determinado momento. Lembrei-me de quando fomos á Isla Magica, em Abril para aproveitar o fim-de-semana grande: eramos 3 casais, e fizemos uma data de vídeos, e fartei-me de rir porque começávamos a filmar ainda na fila das diversões (num tom normal), entretanto a fila andava, e llá íamos nós, prontos para a aventura - ora 1, 2, 3, aqui vamos nós!! Uhuhhhh.... Uns gritavam, outros diziam asneiras, outros fechavam os olhos e uns segundos depois, parávamos onde tínhamos começado. Bem, só gostava que vissem, a diferença do tom de voz! Mesmo nas diversões mais calminhas, nós saíamos de lá praticamente aos gritos. Tal era a adrenalina nas correntes sanguíneas da juventude. E eu juro que nem me tinha apercebido na altura, só quando estava em casa é que consegui analisar bem. Ainda me dá vontade de rir.

Ora então, desde aí que fiquei mais desperta e me apercebo que, por vezes, quando alguém (inclusive a minha pessoa) está mais entusiasmado, levanta o tom de voz. Como hei de ficar aborrecida com quem passa à beira da janela às 3h da manhã a falar como se estivesse a dar um concerto?! Aceitei que doi menos, e percebi que tenho de lidar. Se me dá vontade de encarar uma faceta mais sénior e ir para a janela fazer "shiiiuuu", dá! Mas respiro fundo três vezes e lá acabo por adormecer.

Há 10 anos atrás provavelmente aborreci muitas pessoas que estavam a tentar descansar, quando ia para a noite com as amigas. Agora chegou a vez dos jovens nascidos em 2005 se vingarem, então vou deixá-los fazer barulho e tentar não ser a chata aqui da rua. 

Não obstante, já agora, se forem sair á noite e se aperceberem que estão a falar muito alto, lembrem-se de mim e falem um bocadinho mais baixo.

28
Jul22

Os parentes e a família

Sol

Recebi o meu irmão, a minha cunhada e os meus sobrinhos cá em casa. Eles vivem fora do país e, no entanto, não sinto a distância entre nós. Estiveram aqui de sábado até quarta-feira, e fartámo-nos de conversar, de rir, de passear e de aproveitar o sol e o calor que se fez sentir. Na terça-feira, no grupo do WhatsApp que há uns tempos se criou com os primos, tios, pais e irmãos, tivemos uma pequena discórdia que se arrastou até quarta-feira - que foi o dia em que decidi intervir - sobre a presença (não só física) de alguns membros da família, isto porque uns cobram a outros sem ninguém lhes ter dado este direito.

Claro que coloquei a minha faceta mais orgulhosa e irónica porque não consigo perceber como certas e determinadas pessoas acordam de manhã e pensam "vou opinar sobre a vida dos outros, só porque sim". Gostava mais que me ligassem para pedirem o meu IBAN ou pagarem as minhas contas, mas parece que este tipo de pensamentos não lhes ocorre. Até porque, como diz o ditado, conselho, se fosse bom, não se dava, vendia-se.

Bom, com isto percebi que há uma pequena grande diferença entre o que consideramos parentes e o que consideramos família. Bem sei que se costuma dizer que a família é para sempre, no entanto acredito que esta família não é composta necessariamente pelos nossos parentes, e que nem sempre os que estão fisicamente perto de nós são aqueles que estão mais próximos. Sou daquelas pessoas que tem poucos amigos, mas sem duvida que os considero família, tanto que me conhecem melhor que muitos dos meus parentes.

Nos filmes costuma haver aqueles jantares com uma mesa cheia de primos e enteados, todos a darem gargalhadas e a servirem a ultima perna de peru, na minha mesa senta-se a família que escolhi, com alguns parentes e amigos de coração, todos a darem gargalhadas e a brindar com uma cervejinha. Estou fisicamente longe, por me ter mudado no ano passado, mas todos eles conheceram a minha nova vida, apoiaram cada passo que dei (e dou) em busca do que pretendo conquistar, e sem duvida que todos eles estão perto do meu coração. 

Pausa para limpar esta lágrima no canto do olho (obviamente por algum tipo de poeira que por aqui anda).

21
Jul22

Bagagem

Sol

No outro dia fui almoçar fora com duas colegas e, depois de jogar alguma conversa fora, e já não sei porque motivo, começámos a falar de "traumas" ou "situações" (como preferirem chamar) que trazemos connosco desde a infância. Sejam por motivos maravilhosos ou por imposições que posteriormente viraram medos ou frustrações....

Chegámos a uma conclusão engraçada, assim como os nossos pais e/ou cuidadores nos transmitiram uma data de inseguranças, frustrações - não desfazendo as alegrias e momentos felizes -, nos ensinaram a encarar a vida de uma determinada forma, e até moldaram a forma como olhamos para nós próprios/as, nós faremos o mesmo aos nossos filhos. A minha primeira reação foi pensar "credo, não quero traumatizar os meus futuros filhos", mas a minha Colega deixou-me com a seguinte questão: o que nos tornamos, independentemente de nos deixar com algumas marcas, também nos faz ser a pessoa que somos... quem nos diz que os aspetos mais negativos com que crescemos, não nos moldam a sermos pessoas melhores?! Tudo depende da forma como escolhemos encarar o que nos rodeia, não é? Podemos viver revoltados, e descarregar nos outros a bagagem que trazemos connosco, ou por outro lado, aceitar esta tal bagagem como parte do nosso passado, compreender que todas as pessoas têm a sua, e que somos o que somos graças a ela.

Apesar de tudo isto, nem sempre é fácil mantermos uma cara serena quando nos tocam na ferida, mas vale a pena o esforço para tentar que não percebam que acertaram na muche. Pelo menos eu sou assim, tento sempre manter uma cara plena e absolutamente tranquilizante.... Provavelmente não engano ninguém, mas enquanto penso em disfarçar, não penso em dar uma cabeçada a alguém, por isso o universo já agradece.

15
Jul22

Gritar ou sorrir, eis a questão

Sol

Estava eu à procura de lugar para estacionar o carro, depois de um dia duro no trabalho, uma ida ao banco e umas compras no supermercado cá para casa, e há um ser humano que decide parar o carro no meio da estrada e ficar ali. O meu primeiro pensamento é que o cérebro do ser humano tinha parado de raciocinar.... Faço marcha atrás e ele mete a mãozinha de fora e faz-se sinal para o ultrapassar... Eu (que ia de janela aberta porque está um calor infernal) disse "obrigada", mas um obrigada num tom irónico e de quem não estava minimamente grata, ao que o ser humano me responde "de nada", ainda mais ironicamente e definitivamente sem saber o dia que tive. Aiiii que nervos, que calor que me subiu ao cérebro! Ao ponto que chegámos, alguém faz asneira e ainda se sente no direito de achar que tem razão.


Pronto, já desabafei.


Amanhã se calhar cruzo-me com este condutor e ainda lhe desejo um bom dia, pode ser que isso torne o dia dele um pouco melhor. Não me admirava, tendo em conta a minha fraca capacidade de decorar rostos. É que sou mesmo péssima! Por outro lado, sou ótima a decorar números, do que é que isso me serve tendo em conta que não trabalho em nada relacionado com numerologia? provavelmente nada. Mas não posso contar só os meus defeitos, não é?!


O ambiente no trabalho tem estado uma treta, estamos numa fase de muitas mudanças em que todos os que querem mandar andam numa luta de poderes e quem sofre são aqueles que só querem uma resposta para dar continuidade ao seu trabalho e anda à mercê destas guerras do secundário. Ainda bem que a maior parte das coisas eu me esqueço, então nem chego à fase em que deito tudo cá para fora quando chego a casa, o meu namorado nem sabe a sorte que tem de ter uma namorada despassarada da vida. Mas quando lá estou, até sinto um nó na garganta. Ontem uma colega quis partilhar um texto positivo, e eu partilhei um que tinha guardado no telemóvel há algum tempo, soube mesmo bem! Estava a pensar sugerir fazermos isto de vez em quando, para tentar libertar um bocadinho o ambiente.


Basicamente tem sido isto, frustrações para encontrar lugar de estacionamento e pequenas doses de felicidade para nos ajudar a enfrentar um dia. Por outro lado, viver no Algarve no verão tem a vantagem de parecer que somos uns jovens de férias, quando na realidade a minha cara deriva de algumas preocupações e vontade de gritar com pessoas e não propriamente de um longo dia a apanhar sol.

04
Jul22

Novidades laborais

Sol

No dia 1 deste mês comecei a trabalhar, ou melhor dizendo, voltei a trabalhar. Isto porque fiquei fisicamente no mesmo espaço onde estive nos últimos 6 meses então parece que tirei umas grandes férias e agora voltei... Estou na mesma secretaria, com as mesmas colegas, ajustaram apenas um bocadinho as minhas funções. É super estranho, mas torna este início um bocadinho mais fácil, porque se evita aquele constrangimento das conversas iniciais: "Então e moras onde?", "E onde trabalhavas?", "Que carro tens?", "Bebés café?", ... 

Estou feliz por voltar ao ativo, gosto de me sentir útil e não tenho perfil para ver o tempo a passar.. Já para não falar que gosto de almoçar com companhia, e em casa a minha companhia ao almoço era a minha gatinha (não desfazendo, que eu gosto imenso da companhia dela)

 

Vou trabalhar a recibos verdes - digam lá que não é de causar inveja ahah - e vão ser só 2 meses mas, se tudo correr bem, em setembro passo para outro serviço (embora ligado à mesma empresa) para um contrato totalmente normal, isto é, por conta de outrem, com tudo direitinho e "meu", nada de substituições nem recibos verdocas. Ora, isto causa-me imensa alegria mas também muiiiita ansiedade porque depois fico a pensar que as coisas podem não correr bem... Mas por enquanto só me resta esperar o melhor e desfrutar o momento, como não podia deixar de ser. 

29
Jun22

Amizades

Sol

Parece que hoje em dia se dá uma importância ridícula à imagem das outras pessoas. Nas redes sociais vemos pessoas lindas e maravilhosas, em momentos fantabolásticos, a treinar de maquilhagem e a filmar as suas almoçaradas em família. Atenção, cada um publica e partilha o que quer, mas fico preocupada com a quantidade de meninas e meninos mais novos que, provavelmente, se deixam influenciar, que crescem a sentir-se inferiores a alguém que nem conhecem.

Não sou o auge da autoestima, longe disso, mas já me apercebi que tenho uma forte tendência a aproximar-me de pessoas que não ligam minimamente às aparências dos outros. Que as “cusquisses” com as minhas amigas nunca envolvem falar mal do cabelo de uma ou dos quilos a mais de outra. Podemos comentar atitudes que não compreendemos, escolhas que não faríamos, mas não menosprezamos ninguém, mesmo sabendo que não nos podem ouvir. Seguimos uma ou outra influencer, pelo conteúdo que apresenta ser interessante, engraçado, ou acrescentar algum tipo de conhecimento, e a partir daí discutimos as nossas ideias e escolhas. E ainda bem. Acho que toda a gente gosta de se sentir bonita, de vestir algo mais apresentável num determinado dia, ou pôr maquilhagem, seja o que for. Mas que seja sempre por nós e nunca pelo medo do julgamento dos outros.

Vim só partilhar que tenho um circuito de amigas muito pequenino, mas que não nos entretemos a falar mal dos outros ahahah Talvez por isso sejam pessoas que amo e considero como minha família.

23
Jun22

Custo de Vida

Sol

Sei que não sou a única a sentir que, cada vez mais, quando ponho o pé fora de casa já estou a gastar dinheiro. Deparamo-nos com o preço dos combustíveis a aumentar, com o preço dos géneros alimentares que aumenta, assim como aumenta o valor das casas, dos carros, dos transportes públicos, etc etc. 

Os estrangeiros a morar em Portugal, por outro lado, acham as casas "baratíssimas" e o estilo de vida "espetacular". Fico tão feliz por eles, sinceramente! Devem sentir que Portugal é aquele objetivo que todos nós desejamos alcançar, onde conseguem gozar a sua reforma em segurança, paz, com qualidade de vida e, claro, muito sol. Alegra-me ver a genuinidade com que conseguem ser felizes com coisas simples, nomeadamente, todos queimados do sol - portanto, lagostas -, e a tirar fotografias à pedra da calçada. Diga-se de passagem que eu sou uma tresloucada, adoro ouvir musica alta no carro e volta meia volta dou por mim a sorrir no supermercado... Dizem que atraímos coisas boas se tivermos pensamentos positivos, não sei se a vida funciona exatamente assim, mas enquanto acredito e desconfio, pelo menos estou alegre.

Entretanto, continuo desempregada, mas já tenho o subsídio de desemprego deferido, yeahhh. Magiquei todo um plano anti-tristeza, que envolvia ir 3h por dia à praia, que é aquele plano gratuito e com a grande vantagem de ganhar uma corzinha que depois poderei gabar quando voltar a trabalhar. Ainda assim, para minha tristeza, tem estado imenso vento... Ora, eu já não vou à água porque devo ter algum trauma e acho sempre que vou ter um ataque de hipotermia(isto é muito verdade, acho que 99% das pessoas que me conhece nunca me viu dentro de água), e estar na toalha a comer areia, não obrigada. Tenho a casa limpinha e organizada, e voltei a treinar para me sentir mais ativa, tirando isso tenho ido às compras quando necessário e inventado mais umas coisitas para fazer. 

14
Jun22

O resto da vida

Sol

O meu pai uma vez disse-me que, para avaliarmos se estamos realizados numa empresa, temos de concretizar pelo menos dois destes três pontos: fazer o que gostamos; ter uma boa relação com a equipa; e considerar a nossa remuneração satisfatória/adequada.  A estes pontos considero pertinente acrescentar a questão da duração do contrato, já vou explicar o porquê.

No meu caso, depois de terminar a licenciatura, de enviar muitas candidaturas e não ter experiência suficiente para desenvolver o cargo (a ironia que muitos de nós conhece), e de ter estado 4 anos a trabalhar em bar e mesas– que não é a minha área de estudos, mas para a única para a qual parecia não haver necessidade de experiência de 50 anos -, consegui um emprego na minha área… Estávamos em inicio da pandemia e, por isso, senti uma tal nuvem de maré de sorte, que decidi tirar uma pós-graduação. Peguei nos pontos que o meu pai me incutiu e, sinceramente, sentia-me realizada: estava a fazer aquilo para o qual tinha estudado (e que adoro), tinha uma ótima relação com a equipa e a remuneração até não era a adequada, mas para uma rapariga que há 4 anos procurava meter o pezinho dentro da sua área, estava ótimo perfeito maravilhoso. Chegamos ao 4º ponto (o que decidi acrescentar acima), ressalvando que tenho de dar o desconto ao meu pai por não o ter incluído – até porque na época em que ele integrou o mercado de trabalho, não era uma questão que se coloque como problemática. Ora bem, estava num contrato de substituição, até quando ?! ninguém sabia muito bem, começou por ter uma previsão de 5 meses, que passou a 8, que passou a 10 e, finalmente, a 18 meses. Não desfazendo, 18 meses não é nada mau para colocar no CV como primeira experiência na área, mas só eu sei a ansiedade que sentia dia após dia, mês após mês, ao sentir que poderia ser o último.

Chegamos a junho de 2021, o meu companheiro, que estava desempregado desde o inicio da pandemia porque é cozinheiro (e toda a gente sabe os apoios maravilhosos que foram criados), tem uma oferta para trabalhar no Algarve…. Sentámo-nos à mesa e avaliamos os prós e contras (fazemos sempre isto quando temos uma decisão importante a tomar), e no final das contas, eu, eventualmente, ia ser dispensada, então VAMOS COM TUDO. Ele fez uma pequena mala, pôs-se no carro e veio para o Algarve. Entre viagens, passam-se 3 meses e eu sou informada que o meu contrato ia terminar. Nem sei bem como me sentia, por um lado, triste porque foi uma experiência fantástica, por outro, estava entusiasmada por iniciar um novo ciclo noutro local. Foram feitas as malas, vendidos os móveis, uma busca imensa por uma casa para arrendar, burocracias até dizer chega, e muiiiitas viagens para cima e para baixo (porque ninguém aguenta o que as empresas de transportes levam por transportar móveis a uma distância de 300 km), e finalmente, aqui estávamos nós! Umas quantas entrevistas de emprego e, ao final de 1 mês e meio, tenho uma proposta: na minha área, com uma equipa aparentemente porreira e um bom salário (melhorzinho que o anterior), mas surprise surprise, era um contrato de substituição. Desta vez, não sentia angustia por não saber quantos meses iria durar o meu contrato porque, uma vez que se tratava de uma licença de maternidade, eu sabia mais ou menos quando iria terminar, mas não foi por isso que a ansiedade desapareceu porque havia dias que só pensava: quando é que terei um emprego “meu”?

Terminei o contrato ontem, hoje tratei do subsidio de desemprego, amanhã vou celebrar o aniversário do meu pai a Lisboa e, depois, uma nova onda de ansiedade se instalará. Neste caminho, foco-me nas pessoas que conheci, algumas que seguem comigo e outras que permanecem nestas experiências profissionais. Foco-me no sentimento de quando me ligam a dizer que fui selecionada, é uma onda de calor tão boa que não sabemos se choramos ou se rimos. Foco-me nas coisas que vou conquistando, no que vou aprendendo, e na esperança que trago sempre comigo que um dia vou ter o “meu” emprego. Afinal de contas, tenho toda a vida à minha frente – quando tiver o emprego que goste, terei dias ótimos e dias que só sairei da cama por arrasto; quando tiver um filho, será meu o resto da vida; quando tiver uma casa, ou um carro, usufruirei dela o melhor que sei.

Tenho o resto da vida e, no caminho, aproveito cada momento.

08
Jun22

Tachos e Panelas

Sol

Primeiramente, devo esclarecer que adoro partilhar uma boa refeição - seja num restaurante ou em casa - com a minha família, a minha cara-metade ou os meus amigos. Umas entradas, um prato principal caloroso e um bom vinho, sem esquecer de um docinho e um café para terminar em grande! 

Mas sinceramente, cozinhar?? Ai que tortura! Eu até me safo e, pelo menos até à data, continuo a receber pessoas em casa que se predispõem a comer, mas todas elas sabem que o faço por amizade e não por adorar passar 3 horas em frente ao fogão (quem diz 3 horas, diz 20 minutos). Todo o processo de: decidir o que preparar para o almoço/jantar (sim porque há restaurantes que têm uma carta de 10 páginas e eu não consigo decidir 1 prato que me apeteça fazer), consultar a amiga internet para saber como as pessoas com paciência preparam o dito petisco, ir até um supermercado que não me cause ânsias, voltar para casa e começar as preparações... Fico cansada só de pensar!

Felizmente o Universo decidiu cruzar o meu destino com o meu dito-cujo que, por sua vez, é cozinheiro de profissão. Ou terá sido o meu subconsciente? Confesso que o conheci no local de trabalho e, por isso, antes de saber o seu nome já sabia que tinha dotes culinários.... De qualquer forma, estou satisfeita! E felizmente, apesar de ainda não ter percebido o local ideal para deixar a toalha molhada, tenta facilitar-me este processo culinário que atormenta o meu ser. Mas, volta meia volta, lá me calha a mim, e se vocês vissem o meu ar de sofrimento a cozinhar, percebiam bem o que quero transmitir.

Ainda assim, fico super orgulhosa de mim quando sai qualquer coisita de jeito, e quando me questionam, "mas foste mesmo tu que fizeste?" - muitas vezes é inacreditável, de facto, mas a pessoa vai aprendendo uns truques. Já agora, e para não dizerem que eu não dou dicas úteis, deixo algumas ideias para as vossas refeições: carne à bolonhesa, frango estufado, salada de polvo, lulas grelhadas, bacalhau à brás e wrap de atum. Pronto, ficam as ideias para quando aí em casa não souberem o que fazer.

03
Jun22

A ambiguidade de ter carro próprio

Sol

O sonho de qualquer jovem… Pode dizer-se que é um dos sentimentos mais ambíguos do ser humano, ora então: até aos 18 anos saltamos entre boleias e transportes públicos, enquanto tentamos entender que escola de condução apresenta o preço mais decente que sirva como incentivo à poupança; inscrição feita, passeamos um livro de código enquanto questionamos o porquê dos carros terem 3 pedais se apenas temos 2 pés e aparentamos ser uma manteiga ao sol ao entrar numa rotunda – verdade seja dita que suamos mais na aula de condução que numa aula de crossfit –; finalmente, uns mais rapidamente que outros, mostramos orgulhosamente a nossa licença, que eventualmente se torna uma carta igual às dos nossos pais. Uns tempos depois, temos o nosso carro, apelidado pelos mais velhos de “primeiro carro” e que nós, jovens iludidos, consideramos que poderá muito bem ser o último, isto porque até então ninguém nos tinha avisado do que os próximos tempos adivinhavam.

No meu caso, o meu primeiro (e atual) carro, foi comprado 5 anos depois de ter a carta. Já tinha passeado em alto estilo no carro do meu irmão e do meu pai, com musica alta e a achar-me a superestrela dos carros. Achava um piadão operações stop, provavelmente porque tinha a certeza que estava tudo em ordem e eu aparentava ser uma grande condutora. Agora sim, estava satisfeita, podia sustentar o meu carrinho porque já estava a trabalhar, mudei os pneus, fiz uma revisão, paguei o seguro de um ano…. Que sensação fantástica! Dica: aproveitem esta sensação porque ela acaba depressa. Quando dás por ti, andas metade do ano a ignorar os barulhos e luzes do painel e a outra metade a saltar entre boleias e transportes públicos (sim, tal e qual como fazias quando ainda nem sequer tinhas carta de condução) porque tens o carro no mecânico. Isto sem falar no IUC e no seguro, que cada ano nos relembra de que ter um carro é um luxo que a nossa carteira dificilmente aguenta, e no preço dos combustíveis.

Nos últimos 6 meses já fiz 3 visitas à oficina da zona, a piada depois de pagar é sempre a mesma “espero não vos ver em breve” - parece que a saudade é um sentimento que não me toca no que concerne à minha ligação com os mecânicos –, aparentemente são os meus novos melhores amigos. O meu ficou internado numa 5ª feira, coloquei os meus fones nos ouvidos e caminhei alegremente até à estação de comboios (porque de vez em quando nos esquecemos do que realmente é andar de transportes públicos), o meu sorriso desvaneceu quando tentei pagar um bilhete em multibanco e me disseram que só aceitavam dinheiro - Como assim, ainda se pagam coisas em dinheiro?!. A decisão ficou tomada, a partir deste momento, e até ter o meu carro de volta, iria deslocar-me de autocarro, adorei estremecer cada vez que o motorista trava em cima de um carro, e vibrava ao ouvir alguém mascar pastilha de boca aberta…. Vão-me dizer que não adoram andar de transportes públicos??

Toca o telefone, o carro está pronto, mas para o levantar tenho de o pagar… Que giro! Uma última boleia até à oficina e um rim que deixamos em cima do balcão, quando será a próxima visita?

Importante lembrar que, no fundo, e por muito que custe admitir, a nossa sofrência com os carros é de livre-arbítrio porque existem outras soluções, não tão práticas e agradáveis, mas existem. Para manter a boa disposição, lembrem-se que se tiver com alguém no carro que masque a pastilha elástica de boca aberta, podemos expulsá-lo/a, isto se tiver na faixa etária entre os 12 e os 65 anos, porque fora isso convém aguentar à bomboca.

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